Não tem problema duvidar das pesquisas eleitorais. Esse é o papel dos amadores

Essa discussão sobre pesquisas tem que ficar no passado. No máximo esse debate pode ser levantado por amadores ou por quem está atrás das pesquisas.

Chega o ano de eleição e sempre começam os discursos que colocam dúvida sobre as pesquisas eleitorais. Se você não trabalha com política ou com marketing político, não há problema nenhum nisso. Também achamos uma loucura algumas teses da física e da astronomia, mas nós somos das ciências humanas.

Pesquisas

As pesquisas mostram o retrato do dia (ou dos dias) em que elas foram realizadas. Nada mais do que isso. As pesquisas são como uma colher de sopa que pegamos para termos a noção de como está o todo.

Vamos mostrar alguns números das eleições de 2018 para provar isso.

Primeiro turno

O primeiro turno de 2018 foi realizado no dia 7 de outubro. O último DataFolha, de 6 de outubro, colocava Fernando Haddad com 22%, Bolsonaro com 36% e abstenção/brancos/nulos/não sabe de 10%.

Ou seja, nos votos válidos Haddad teria 24,44% e Bolsonaro ficaria com 40%. A pesquisa pode ter errado o número exato, mas acertou na tendência. Segundo a pesquisa, Bolsonaro iria para o segundo turno com uma vantagem de 15,56% dos votos válidos (13,56% a 17,56% na margem de erro).

No dia da eleição ele foi para o segundo turno com uma vantagem de 16,75 p.p., dentro da margem de erro.

Segundo turno

O segundo turno de 2018 foi realizado no dia 28 de outubro. O último DataFolha, de 27 de outubro, colocava Fernando Haddad com 39%, Bolsonaro com 47% e abstenção/brancos/nulos/não sabe de 13%.

Ou seja, nos votos válidos Haddad teria 44,82% e Bolsonaro ficaria com 54,02%. Podemos dizer que no segundo turno o Datafolha acertou na mosca. No dia da eleição, Bolsonaro foi eleito com 55,13% e Haddad derrotado com 44,87%. O DataFolha, em relação a Bolsonaro, divergiu em 1,11 p.p. para menos e, em relação a Haddad, em 0,05 p.p. também para menos.

Essa discussão sobre pesquisas tem que ficar no passado. No máximo esse debate pode ser levantado por amadores ou por quem está atrás das pesquisas.

Para maior entendimento, recomendamos a leitura do artigo Pesquisas eleitorais e mudanças tardias na decisão do voto.

Revisado e atualizado em 06/10/2026

Foto de Rodolpho Dalmo

Rodolpho Dalmo

é estrategista político com 12 anos de experiência em política, eleições e governos.

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