Cinco semanas de campanha: o que as pesquisas mostram até aqui

Poucas mudanças até aqui.

A campanha eleitoral completa cinco semanas com um volume de pesquisas suficiente para começar a separar os movimentos reais das oscilações de levantamentos isolados. Desde o início do período, estamos acompanhando as pesquisas nacionais para presidente e os levantamentos de Minas Gerais para governador e Senado por meio de um agregador próprio.

Para reduzir o peso das oscilações de cada levantamento, consideramos apenas a pesquisa mais recente de cada instituto para nossos cálculos. Quando um instituto divulga uma nova rodada, a anterior deixa de compor o cálculo. A comparação em votos válidos permite ainda observar melhor a correlação de forças entre os candidatos. Depois de cinco semanas, algumas tendências estão mais claras.

Presidente: a disputa continua concentrada em Lula e Flávio

No primeiro ponto da série, em 17 de agosto, Lula (PT) aparecia com 44,6% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) tinha 39,1%. A diferença era de 5,4 pontos percentuais (pp).

Cinco semanas depois, Lula está com 43,6% e Flávio com 38,4%. A distância é de 5,2 pontos. É uma estabilidade impressionante.

Houve pesquisas melhores e piores para os dois candidatos ao longo desse período. O agregado, porém, mostra que a relação de forças entre eles praticamente não se alterou. Somados, Lula e Flávio representavam 83,7% dos votos válidos no início da série. Agora representam 82,1%. A movimentação ocorreu abaixo deles.

Augusto Cury (Avante) começou com apenas 1,1% dos válidos, chegou a alcançar 9,2% na média em 3 de setembro e atualmente aparece com 6,8%. Renan Santos (Missão) passou de 4,3% para 5,1%. No sentido contrário, Ronaldo Caiado (PSD) caiu de 5,4% para 3,8%, enquanto Romeu Zema (Novo) passou de 4,3% para 1,4%.

Portanto, até aqui, a campanha movimentou bastante o segundo pelotão, mas muito pouco a disputa entre os dois candidatos que concentram mais de 80% dos votos válidos.

Minas: Cleitinho permanece no mesmo lugar

A disputa pelo Governo de Minas apresenta outro tipo de estabilidade. Cleitinho Azevedo (Republicanos) começou a série, em 21 de agosto, com 43,8% dos votos válidos. Cinco semanas depois, aparece com 44,1%. Uma variação de apenas 0,3 pp.

A principal transformação da disputa mineira não aconteceu na liderança. Aconteceu atrás dela, assim como na presidencial.

Patrus Ananias (PT) e Alexandre Kalil (PDT) começaram rigorosamente empatados, ambos com 16,4% dos votos válidos. Hoje, Patrus aparece com 20,0%, enquanto Kalil caiu para 12,3%. Patrus ganhou aproximadamente 3,5 pp e Kalil perdeu pouco mais de 4 pp.

Mateus Simões (PSD) também cresceu, passando de 5,5% para 8,4%. Flávio Roscoe (PL) foi de 5,5% para 6,1%. Gabriel Azevedo (MDB) recuou de 5,5% para 4,2%.

A distância entre Cleitinho e o segundo colocado caiu de 27,4 para 24,2 pontos, mas continua enorme.

Até agora, portanto, a campanha mineira não conseguiu alterar substancialmente o tamanho eleitoral de Cleitinho. A briga está em quem vai para o segundo turno. Tudo constante, será Patrus Ananias.

Senado: a disputa que mais mudou

Se presidente e governador apresentam forte estabilidade na liderança, a eleição para o Senado é outra história. É a disputa mais aberta e mais sensível às mudanças ocorridas durante a campanha.

Marília Campos (PT) começou com 20% dos votos válidos. Chegou a 27,2% no fim de agosto e atualmente aparece com 22,1%. Carlos Viana (PSD) saiu de 14,5% para 17,1%. Domingos Sávio (PL), de 10,9% para 14,7%. Marcelo Aro (PP), de 9,1% para 10,0%.

Mas há uma ruptura na série que precisa ser considerada: a entrada de Aécio Neves (PSDB). O tucano não estava presente nos primeiros levantamentos. Quando passou a integrar a série, em 8 de setembro, apareceu com 19,6% dos votos válidos. Atualmente está com 16,6%. Isso mudou o bloco competitivo.

Hoje, os quatro primeiros aparecem em um intervalo relativamente curto: Marília com 22,1%, Carlos Viana com 17,1%, Aécio com 16,6% e Domingos Sávio com 14,7%. E há uma diferença fundamental em relação às outras duas eleições: são duas vagas.

Por isso, olhar apenas quem aparece em primeiro lugar oferece uma fotografia incompleta. A questão central é acompanhar quem consegue permanecer dentro desse bloco e quem terá capacidade de crescer nas duas semanas finais.

O que cinco semanas permitem concluir

Pesquisa eleitoral não serve para adivinhar o resultado de uma eleição. Serve para medir a correlação de forças em determinado momento e, quando acumulamos levantamentos ao longo do tempo, identificar movimentos que dificilmente aparecem olhando uma pesquisa isolada. Essas cinco semanas mostram três eleições com comportamentos distintos.

Na disputa presidencial, a campanha ainda não alterou de maneira relevante a relação de forças entre Lula e Flávio Bolsonaro. Há movimentação abaixo deles, mas os dois continuam concentrando mais de 80% dos votos válidos.

Em Minas, Cleitinho permanece praticamente no mesmo patamar em que começou, enquanto Patrus avançou e Kalil perdeu espaço.

No Senado, ao contrário, a própria configuração da eleição mudou. A entrada de Aécio reorganizou o quadro e hoje há quatro candidatos ocupando o principal espaço competitivo para duas vagas.

Esse é, para nós, o principal balanço das primeiras cinco semanas: campanha não produz movimento eleitoral automático. Em algumas disputas, cinco semanas foram suficientes para reorganizar posições. Em outras, apesar de toda a propaganda, agendas, debates, ataques e exposição, a correlação de forças permanece praticamente igual àquela encontrada no início. É o caso de 2026, que deve deixar as fortes emoções para o segundo turno.

Revisado e atualizado em 05/10/2026

Foto de Rodolpho Dalmo

Rodolpho Dalmo

é estrategista político com 12 anos de experiência em política, eleições e governos.

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