Passadas quatro semanas de campanha eleitoral, já é possível fazer um balanço. Desde o início da campanha, assim como em todas, temos nosso agregador de pesquisas e acompanhamos as disputas para Presidência da República, Governo do Estado e Senado mineiro.
A campanha mexeu bastante na composição, mas ainda não mudou quem está na frente.
Na eleição presidencial, Lula (PT) continua liderando. No Governo de Minas, Cleitinho Azevedo (Republicanos) mantém uma vantagem muito ampla. Para o Senado, Marília Campos (PT) segue na primeira posição. As mudanças mais importantes aconteceram abaixo deles.
Lula e Flávio continuam praticamente no mesmo lugar
Na disputa presidencial sem Pablo Marçal (PRTB), Lula (PT) aparecia em 44,57% dos votos válidos em 17 de agosto, contra 39,13% de Flávio Bolsonaro (PL). A diferença era de 5,44 pontos. Em 11 de setembro, nosso agregador aponta 42,42% para Lula e 37,10% para Flávio. A diferença é de 5,32 pontos. Ou seja: Lula perdeu 2,15 pontos e Flávio perdeu 2,03. Depois de quase quatro semanas de campanha, a distância entre os dois diminuiu apenas 0,12 ponto.
No cenário com Marçal, a estabilidade é ainda mais evidente. Em 21 de agosto, Lula tinha 41,65% e Flávio, 37,82%. Em 11 de setembro, aparecem com 41,39% e 37,58%, respectivamente. A vantagem de Lula era de 3,83 pontos e agora é de 3,81. Nada aconteceu entre os dois primeiros.
O principal movimento foi o crescimento de Augusto Cury (Avante). No cenário sem Marçal, ele saiu de 1,09% para 7,16%, chegando a alcançar 9,25% no agregado em 3 de setembro. Depois perdeu parte desse avanço.
Renan Santos (Missão) também cresceu, enquanto Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e, no cenário em que aparece, Pablo Marçal (PRTB) perderam espaço.
Até aqui, portanto, a campanha presidencial reorganizou principalmente o eleitorado que está fora dos dois grandes polos da disputa. Mas ainda não alterou a correlação entre Lula e Flávio.
Em Minas, Cleitinho continua muito distante dos adversários
A eleição para governador apresenta outra dinâmica. Cleitinho Azevedo (Republicanos) começou a série, em 21 de agosto, com 43,84% dos votos válidos. Em 11 de setembro, aparece com 42,74%. É uma queda de apenas 1,10 ponto.
Durante praticamente todo o período, Cleitinho oscilou na faixa dos 42% a 45%. Não há, até agora, sinal consistente de desidratação de sua candidatura. Mas houve uma mudança importante atrás dele.
Patrus Ananias (PT) e Alexandre Kalil (PDT) começaram empatados, ambos com 16,44%. Quatro semanas depois, Patrus aparece com 19,88%, enquanto Kalil caiu para 13,12%. Patrus ganhou 3,44 pontos. Kalil perdeu 3,32. A disputa pelo segundo lugar que começou empatada agora tem 6,76 pontos de diferença.
Mateus Simões (PSD) também cresceu, de 5,48% para 7,48%, mas ainda está muito distante dos três primeiros.
A vantagem de Cleitinho sobre o segundo colocado caiu de 27,40 para 22,86 pontos. Essa redução, porém, ocorreu muito mais pelo crescimento de Patrus do que por uma perda significativa de Cleitinho.
A eleição mineira continua tendo um favorito muito claro. O que mudou nessas quatro semanas foi quem ocupa a posição de principal adversário de Cleitinho.
A disputa mais aberta está no Senado
Para o Senado, é preciso tomar cuidado ao comparar o início e o fim da série porque houve mudança na própria composição da disputa.
Em 21 de agosto, Marília Campos (PT) liderava nosso agregado com 20% dos votos válidos. Carlos Viana (PSD) tinha 14,55%, Domingos Sávio (PL), 10,91%, e Marcelo Aro (PP), 9,09%.
Em setembro, a entrada de Aécio Neves (PSDB) reorganizou a eleição. Em 11 de setembro, Marília continua na frente, agora com 23,32%. Aécio aparece com 18,04%, Viana com 16,35% e Sávio com 13,85%.
Marília, portanto, termina esse primeiro mês 3,32 pontos acima de onde começou. Mas a situação da segunda vaga é muito diferente.
Aécio tem somente 1,69 ponto de vantagem sobre Viana. Viana, por sua vez, está 2,50 pontos à frente de Sávio.
Hoje, portanto, separaríamos a disputa em dois níveis. Marília ocupa uma posição mais confortável na briga pela primeira vaga. A segunda está aberta entre Aécio e Viana, com Sávio ainda próximo o suficiente para entrar efetivamente nessa disputa.
E há uma particularidade importante: na eleição para o Senado em 2026, cada eleitor pode votar em dois candidatos. Isso torna a movimentação das últimas semanas especialmente relevante, porque a disputa pelo segundo voto pode produzir deslocamentos que não aparecem da mesma maneira numa eleição de voto único.
O que nossas projeções mostraram até aqui
Antes do início da campanha, a expectativa natural era de que rádio e televisão, debates, sabatinas, mobilização territorial e aumento do investimento em comunicação produzissem mudanças mais rápidas. Os dados mostram algo mais contraditório. Os líderes resistiram.
Lula continua à frente de Flávio praticamente pela mesma distância. Cleitinho continua acima dos 40%. Marília continua liderando a corrida ao Senado. Mas abaixo deles houve movimentação relevante.
Cury cresceu na eleição presidencial. Patrus abriu vantagem sobre Kalil em Minas. A entrada de Aécio modificou profundamente a disputa pela segunda vaga do Senado.
Esse primeiro mês também serve como alerta contra duas tentações comuns na análise eleitoral: transformar qualquer oscilação em tendência e projetar linearmente movimentos de poucos dias até a eleição.
Cury é um bom exemplo. Seu crescimento foi muito rápido, mas o agregado já mostrou desaceleração e recuo depois do pico. A mesma cautela vale para qualquer candidato que ganhe ou perca dois ou três pontos em poucos levantamentos. Pesquisa precisa ser lida como série.
É justamente por isso que construímos o agregador: menos para tentar adivinhar o resultado de 4 de outubro e mais para identificar quais movimentos estão se repetindo entre institutos e permanecendo ao longo do tempo.
Depois de quatro semanas, nossa fotografia é esta: na Presidência, estabilidade entre Lula e Flávio e reorganização do terceiro pelotão; no Governo de Minas, Cleitinho permanece amplamente favorito enquanto Patrus se consolida no segundo lugar; no Senado, Marília lidera e a segunda vaga permanece aberta.
Até agora, ninguém conseguiu tirar os líderes de suas posições. A questão para a reta final é saber se a campanha continuará apenas reorganizando quem vem atrás — ou se finalmente produzirá movimento suficiente para alterar a disputa no topo.