Segundo a AtlasIntel (26/3), 43% dos brasileiros consideram o governo Lula “totalmente envolvido” no Caso Master, número próximo aos 47% que atribuem o mesmo ao STF. Mas o segredo do marketing eleitoral não é analisar os números crus, mas o sentimento por trás do que é falado.
Anti-sistema
O ambiente social nos dá sinais claros de um crescimento da indignação popular contra o “sistema”. Um sentimento totalmente mal direcionado e, ao que tudo indica, assim como em 2018, será captado novamente pela direita.
Essa indignação não nasce no abstrato, mas na experiência concreta. As pessoas sentem que o dinheiro não chega no fim do mês e, ao mesmo tempo, se deparam com notícias de cifras bilionárias bancando festas, jatinhos, eventos de lobby, contratos suspeitos e relações com os mais altos níveis de poder — para ficarmos apenas no exemplo do Caso Master. Esse contraste produz um efeito direto: a percepção de que existe um “sistema” que opera em benefício próprio, distante da realidade da maioria.
A direita, nos últimos anos, numa espécie de “luta de classes” às avessas, tem se colocado como antissistema, contra as instituições (STF), contra a grande mídia (Globo) e contra uma elite caricaturada (professores, maconheiros, abortistas etc.), enquanto se apresenta como próxima dos mais pobres e defensora dos seus valores — principalmente religiosos — e das dificuldades concretas do cotidiano dessas pessoas. Isso tem surtido efeito nas pesquisas e Lula tem perdido apoio em segmentos até então considerados cristalizados.
Operação Lava Jato Parte 2
Apesar dos abusos processuais da Lava Jato, no imaginário popular a operação é lembrada como o momento em que poderosos foram colocados na cadeia. Em breve, caso avancem as investigações ou avance a delação de Daniel Vorcaro, o debate público vai dividir os políticos entre os que querem a “implosão do sistema” e os que tentaram blindá-lo. E como sempre repetimos: defesa da democracia, fora da classe média, não é um tema que tira as pessoas de casa para votar.
Erro de leitura dos governistas
Não sabemos até que ponto é frutífera a tática adotada pelos governistas de associar a condução do Caso Master à Operação Lava Jato. Atacar jornalistas (Malu Gaspar) que estão investigando a operação e essa defesa apaixonada do STF não encontram respaldo na realidade, como mostram os números da pesquisa já citada.
Os governistas escolheram a tática de defender as instituições — e consequentemente a defesa abstrata da “democracia” — e podem morrer abraçados com elas. Apesar da direita e do Centrão também estarem envolvidos no escândalo, em outubro a população vai às urnas julgar o governo Lula, que acabou assumindo o papel de amortecedor do desgaste alheio.
Revisado e atualizado em 05/10/2026