Tá na hora de olhar pro Ciro?

Uma análise sobre o futuro político de Ciro Gomes

Introdução

Poucas figuras políticas brasileiras suscitam debates tão polarizados quanto Ciro Gomes. Mesmo após o resultado eleitoral aquém das expectativas em 2022, quando seu slogan de campanha “Tá na hora de olhar pro Ciro” — que furtamos para este artigo — não conseguiu romper a polarização estabelecida, o nome do cearense continua a ecoar nos corredores do poder, nas discussões das redes sociais e nas análises de conjuntura. A persistência de Ciro no imaginário político nacional levanta questões fundamentais. Neste texto tentaremos responder algumas delas, mergulhando nas complexidades que envolvem a figura de Ciro para entendermos por que ainda se fala nele, quem é seu eleitorado, o que ele representa, qual sua viabilidade eleitoral e, por fim, traçaremos possíveis caminhos para o seu futuro.

Por que ainda se fala em Ciro?

A presença contínua de Ciro Gomes no debate público não é por acaso. Embora seu papel institucional possa ser descrito como residual no momento — bem diferente das décadas de 1980 e 1990 —, sua voz ainda ressoa, especialmente por sua capacidade de “pedagogizar” temas complexos. Ciro adota, frequentemente, a postura de um professor, repetindo à exaustão seus argumentos e diagnósticos sobre a trajetória econômica e social do Brasil. Sua abordagem, estruturada na tríade “de onde viemos, onde estamos e para onde vamos (ou deveríamos ir)”, tenta simplificar questões complexas, tornando-as acessíveis a um público mais amplo. Para aqueles que acompanham a política e a economia há anos — ou com mais profundidade —, seus discursos podem soar simples ou familiares. Contudo, é inegável que muitas pessoas tiveram seu primeiro contato com certas discussões, como as disparidades de renda no Brasil, para ficar em um único exemplo, através das falas de Ciro. Essa capacidade didática garante a ele um nicho de atenção e o mantém como uma figura de referência para uma parcela do eleitorado que busca compreender as engrenagens do país para além das manchetes superficiais da grande mídia.

Outro fator que explica a persistência de Ciro no imaginário político é o vácuo de propostas concretas no campo de esquerda, ou “progressista”, termo que, diga-se de passagem, deixa o debate no campo da “esquerda” cada vez mais vago e esvaziado de significado real. Enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT), após retornar ao poder, parece ter abandonado qualquer pretensão de transformação estrutural em favor de uma gestão pragmática e conciliatória, e até rendida, Ciro continua defendendo um projeto nacional de desenvolvimento (PND) com contornos mais definidos. Seu PND, detalhado em seu livro “Projeto Nacional: O dever da esperança”, oferece alternativas concretas para problemas como a desindustrialização, a financeirização da economia e a dependência externa.

Esta mesma clareza didática que caracteriza seu discurso econômico, no entanto, parece não ser aplicada por seus críticos quando analisam suas estratégias políticas regionais. Essa postura revela uma possível incompreensão do pragmatismo necessário na complexa política regional brasileira e sugere uma visão potencialmente desconectada da realidade dos diversos contextos regionais do país. A crítica apresenta uma contradição quando vem de alas do PT, considerando que o governo atual mantém alianças com 11 partidos em seu núcleo de sustentação. Enquanto Ciro é cobrado por uma pureza ideológica em suas alianças locais, outros atores políticos praticam o mesmo pragmatismo sem enfrentar o mesmo escrutínio, revelando um padrão de cobrança assimétrico que ignora as nuances da governabilidade nos diversos contextos regionais brasileiros, onde partidos são muitas vezes chamados pelos números ou cores que carregam.

Ciro também sofre ataques da esquerda que são mais brandos em relação a Lula, mesmo este se encontrando, em muitos aspectos, à direita de Ciro. O centralismo petista é um de seus principais ativos políticos, priorizando a hegemonia entre as forças de esquerda antes de expandir seu alcance para outros setores do eleitorado. A mídia governista, ciente dessa dinâmica, já começou a neutralizar qualquer candidatura que possa retirar votos de Lula em 2026, incluindo a de Ciro. Isso demonstra que, apesar de seu afastamento temporário, ele ainda é visto como uma ameaça potencial. Não seria necessário combatê-lo se fosse irrelevante. Esta reação preventiva dos setores alinhados ao governo atual evidencia o reconhecimento do potencial de Ciro de atrair uma parcela significativa do eleitorado insatisfeito com os rumos da atual administração. E na atual conjuntura, se nada mudar até 2026, 1% do eleitorado será muito valioso para Lula e qualquer trabalho de conquista dessa parcela será um trabalho que o PT não quer ter, para manter o foco no “vote em mim que eu não sou o Bolsonaro”, na defesa abstrata da democracia, etc.

Diante desse cenário de ataques coordenados e tentativas de neutralização política, surge naturalmente a pergunta: afinal, quem ainda permanece fiel a Ciro Gomes? Para compreender sua viabilidade futura, é fundamental analisar não apenas quem são seus eleitores atuais, mas também o potencial de expansão desse grupo em um contexto de crescente descontentamento com as alternativas dominantes.

Quem ainda vota no Ciro?

Compreender a viabilidade eleitoral de Ciro Gomes passa, inevitavelmente, por analisar quem compõe sua base de apoio, um eleitorado que, historicamente, demonstrou grande elasticidade. O “cirismo” encontra ressonância principalmente em setores da classe média desiludida com as opções políticas hegemônicas e em uma parcela da esquerda que não aceita mais as contradições do lulo-petismo, para ficar em um termo do próprio Ciro.

As críticas ao Lula, ao liberalismo e ao rentismo, embora pilares do discurso cirista, não são exclusividade sua, sendo pautas também presentes em outros espectros da esquerda, principalmente a mais radical. O diferencial de Ciro residiria na forma como articula essas críticas e na sua proposta de um PND como alternativa. Essa parcela da sociedade já aponta para a complexidade dos que ainda veem em Ciro uma alternativa viável. Diferente das bases mais consolidadas e orgânicas de figuras como Lula ou Bolsonaro, o eleitorado de Ciro parece ser menos coeso e mais suscetível às conjunturas políticas.

Em 2018, Ciro atraiu uma parcela significativa da esquerda que desconfiava da capacidade de Fernando Haddad, cuja campanha centrava-se predominantemente na associação com Lula (“Haddad é Lula” era a única ideia-força da campanha), especialmente após a derrota acachapante do petista na disputa pela reeleição à prefeitura de São Paulo em 2016, perdendo em todas as zonas. Soma-se a isso a percepção de que o PT, desde 2014, vinha adotando uma estratégia de “mal menor”, sem apresentar um projeto claro para o país. Além disso, as pesquisas da época indicavam Ciro como o único candidato com chances reais de derrotar Jair Bolsonaro em um eventual segundo turno, fator que certamente pesou na decisão de muitos eleitores. Contudo, essa base não se mostrou fiel. O eleitorado que estava com Ciro em 1998 e retornou em 2018, já havia flertado com Anthony Garotinho em 2002, Heloísa Helena em 2006 e Marina Silva em 2010 e 2014. Em 2022, diante da polarização recorde entre Lula e Bolsonaro, esse eleitorado se dispersou novamente, evidenciando a ausência de uma massa cativa e a dependência de Ciro de um voto mais volátil e conjuntural.

Um aspecto importante é a formação dessa base eleitoral, que se consolidou majoritariamente no ambiente digital, distante dos espaços tradicionais de militância política, como os movimentos estudantis e sindicais. Isso pode explicar, em parte, a dificuldade de Ciro em traduzir sua presença online e seu discurso em votos cristalizados e em um movimento popular enraizado, como tinha o também pedetista Brizola.

Este eleitorado permanece potencialmente disponível, mas exige uma estratégia de comunicação mais eficaz e uma narrativa que supere a atual polarização lulismo x bolsonarismo.

Compreender quem vota em Ciro é apenas parte da equação. Para avaliar plenamente seu papel no cenário político brasileiro, precisamos ir além da análise de seu eleitorado e examinar o que sua figura representa no atual contexto nacional. A relevância de um político não se mede apenas por seus eleitores fiéis, mas também pelo espaço que ocupa no imaginário coletivo, pelas ideias que defende e pelo contraponto que oferece às forças dominantes.

O que o Ciro representa hoje?

A figura de Ciro Gomes é marcada por uma complexidade que desafia classificações simplistas. Suas posições políticas e seu discurso frequentemente apresentam contradições que alimentam debates e dificultam um enquadramento definitivo. Ciro prega um desenvolvimentismo que, por vezes, flerta com práticas liberais, estratégia que o distancia tanto da esquerda tradicional quanto da direita liberal. Essa amálgama de ideias e posturas contribui para a dificuldade em consolidar uma base de apoio mais estável.

Além da falta de uma base, Ciro não tem uma máquina de comunicação própria, ficando refém de ser taxado por informações de terceiros. Uma das críticas recorrentes a Ciro, a de ser um “coronel”, é algo que não se sustenta na realidade nem na sua trajetória política. No entanto, sua retórica por vezes inflamada e personalista pode alimentar essa percepção no senso comum. E isso ocorre justamente pela falta de uma máquina de comunicação própria, como tem Bolsonaro, que esbanja discursos inflamados e usa isso como força, antissistema etc.

No campo do trabalhismo, Ciro se posiciona de forma peculiar. Ele não reivindica o legado mais radical de Leonel Brizola pré-golpe de 1964 ou de Darcy Ribeiro, e mesmo ao citar Getúlio Vargas, tende a omitir a ruptura institucional de 1930. Ainda assim, Ciro se situa à esquerda do PT em aspectos econômicos cruciais, defendendo um papel mais ativo do Estado na economia e criticando o rentismo de forma mais contundente. Essa posição, contudo, coexiste com críticas consideradas rasas ao “identitarismo”, bem ao estilo Partido Republicano dos EUA. Mas o que o diferencia são suas análises de cenário e conjuntura.

Em setembro de 2022, Ciro fez um diagnóstico que se mostrou certeiro: disse que Lula dava a entender na campanha que bastava tirar Bolsonaro para que o paraíso descesse no Brasil, sem entender o tamanho da crise estrutural que teria pela frente. Previu que Lula entregaria o Ministério da Fazenda para os bancos, as pastas identitárias para o PT fazer discurso (de cada 100 reais que o governo gasta, 10 centavos vão para os Ministérios dos Povos Indígenas, Direitos Humanos e da Cidadania, Mulheres e da Igualdade Racial), o orçamento para o centrão e que viajaria o mundo como um “estadista inocentado”. O desenrolar do governo atual tem confirmado, em grande medida, essas previsões. Esta capacidade de antecipação dos desdobramentos políticos reforça sua imagem de analista perspicaz, mesmo entre aqueles que discordam de suas posições.

No campo desenvolvimentista, Ciro representa uma vertente que busca conciliar elementos aparentemente contraditórios. Uma de suas propostas reside no PND, que busca reeditar a ideia de uma aliança entre “quem produz e quem trabalha”. A crítica imediata dessa ideia é a própria definição desses termos: quem produz e quem trabalha é a classe trabalhadora. A tentativa de Ciro é unir trabalhadores a uma suposta burguesia nacional comprometida com o desenvolvimento do país, tal qual Pepe Mujica no Uruguai. Identificamos dois problemas fundamentais desta tese: Ciro não possui, atualmente, uma base massiva de trabalhadores engajada em seu projeto, e a burguesia nacional brasileira tem um histórico de priorizar seus próprios interesses, muitas vezes atrelados ao capital internacional e ao setor financeiro, em detrimento de um projeto soberano nacional.

A concepção de que diferentes frações da burguesia (financeira, midiática, industrial, agrária) operam em blocos separados apresenta limitações, considerando a evidente interconexão de seus interesses no contexto brasileiro. Basta ver a família Marinho, dona da Rede Globo, Stone (tecnologia financeira), com tentáculos no agronegócio e agora até em casas de apostas. E não faltariam exemplos de como esses setores operam como um bloco de poder unificado.

Ciro, diferentemente do PT, deixa claro que seu projeto implica perdas para determinados setores, especialmente o financeiro, para financiar a reindustrialização e o desenvolvimento social. Ele aponta a necessidade de uma reforma fiscal robusta, queda da taxa de juros e investimento em setores estratégicos, como o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), onde o Brasil teria grande potencial de crescimento e substituição de importações. Temos um SUS com potencial de atendimento para mais de 200 milhões de pessoas e, no entanto, importamos, nas palavras do próprio Ciro em seu último livro, “produtos de tecnologia rudimentar, como camas de hospital, próteses, muletas, cadeiras de rodas”, 80% com patentes vencidas, ou seja, que poderiam ser produzidos no Brasil. Por não o serem, contribuem com um déficit de US$ 6 bilhões para o país. Este exemplo concreto ilustra como o projeto de Ciro oferece soluções práticas para problemas estruturais da economia brasileira, combinando desenvolvimento industrial com melhoria dos serviços públicos essenciais.

Contudo, a existência de um projeto bem estruturado, por mais consistente que seja, não garante automaticamente viabilidade eleitoral. As ideias de Ciro, embora tecnicamente defensáveis e potencialmente transformadoras, enfrentam o desafio de se traduzirem em votos num cenário político marcado por extrema polarização e personalismo. A questão que se impõe, portanto, não é apenas sobre a qualidade de suas propostas, mas sobre sua capacidade de convertê-las em uma candidatura competitiva. É preciso partir para o realismo político.

O Ciro é viável em 2026?

A viabilidade eleitoral de Ciro Gomes para 2026 enfrenta obstáculos significativos, mas também apresenta algumas janelas de oportunidade que merecem análise cuidadosa. O cenário atual é marcado pela fragilidade do PDT como estrutura partidária, pelo rompimento de alianças estratégicas (especialmente no Ceará), pelo resultado eleitoral de 2022 e pela falta de enraizamento popular de seu projeto.

A situação atual do PDT, partido de Ciro, é um primeiro ponto crítico. O partido é, na prática, um ajuntamento de diversas correntes políticas sem coesão ideológica clara. Frederico Krepe intitula o PDT como um “sindicato de mandatos”. Não é o “partido de Ciro” no sentido de controle e alinhamento programático, como foi o PSDB liderado por Fernando Henrique Cardoso na década de 1990 ou o PT de Lula desde sua fundação. Nas eleições municipais de 2024, o PDT foi o terceiro partido que mais perdeu cadeiras, caindo de 320 para 151 prefeituras. Essa fragilidade da legenda representa um déficit estrutural significativo para qualquer pretensão presidencial. Sem uma base partidária sólida e coesa, Ciro enfrenta dificuldades adicionais para transformar seu capital político pessoal em uma estrutura organizacional capaz de sustentar uma campanha competitiva, mesmo pontuando bem em algumas pesquisas.

As pesquisas recentes mostram um fenômeno interessante: enquanto o governo Lula perde popularidade, inclusive no Nordeste, o nome de Ciro cresce em alguns cenários. Na MDA/CNT1, olhando os votos válidos, pouco mais de 47% da população (na espontânea) e 56% (na estimulada) ainda votariam em algum candidato de esquerda, com Lula e Ciro comandando esse bloco. Sem Lula e Bolsonaro no jogo, Ciro e Haddad ainda concentram pouco mais de 48% do eleitorado válido. Na pesquisa Genial/Quaest2, de fevereiro, em 4 cenários estimulados diversos, Lula e Ciro acumulam, em votos válidos, um piso de 47% e um teto de 60,5%. Isso é um recado forte da generosidade do povo brasileiro com a esquerda e suas variações.

Esses números atuais nas pesquisas contrastam significativamente com a trajetória eleitoral recente de Ciro Gomes, marcada por uma queda expressiva na votação entre 2018 (12,47%) e 2022 (3,04%). Tal declínio resulta de uma combinação de fatores estratégicos e conjunturais que merecem análise detalhada. Em 2018, ele tinha um discurso forte de retomar as rédeas da economia através de uma presença estatal robusta, fazendo uma campanha à esquerda de Haddad e de Boulos. Após a vitória de Bolsonaro, Ciro se tornou, naturalmente, o maior nome da oposição brasileira. Porém, em 2020, nas eleições municipais, ele fez diversas costuras políticas equivocadas (como em São Paulo, Recife e Salvador) e, ao invés de apoiar ou criar candidaturas alinhadas com seu discurso de 2018, preferiu conciliar e levar o partido para o centro. O correto seria lançar diversas candidaturas (como fez com a Delegada Martha Rocha no Rio de Janeiro) que manteriam o debate na mesma linha que ele teve em 2018, preparando o terreno para as eleições de 2022.

O segundo erro foi atacar Lula no campo moral e não no econômico. Quando o presidente saiu da prisão, ele concluiu seu arco narrativo de injustiçado e mostrou que estava certo e Sérgio Moro errado. Ciro reforçou ataques de cunho moral contra um político com uma base fortíssima e uma máquina ainda mais forte, que é a petista. Isso se mostrou ineficaz. No entanto, seria injusto atribuir a queda eleitoral apenas a erros de Ciro. Lula rouba votos do Ciro “parado”, apenas por estar no jogo. Em 2022 tivemos a eleição mais polarizada entre dois candidatos da história, com Lula e Bolsonaro concentrando 91,62% dos votos válidos3. Nesse contexto, Ciro tornou-se taticamente irrelevante para grande parte do eleitorado anti-Bolsonaro, que aderiu ao “voto útil”. Qualquer análise séria sobre o desempenho de Ciro em 2022 que ignore o impacto do retorno da figura política mais influente da história brasileira recente estará inevitavelmente incompleta. Esta análise mais detalhada dos erros estratégicos de Ciro ajuda a compreender sua derrocada eleitoral, mas também aponta caminhos para possíveis correções de rota visando 2026.

Identificamos que um dos principais problemas de Ciro é estrutural: ele não construiu uma máquina de comunicação eficiente. Consequentemente, sua imagem pública fica refém de recortes. Por um mesmo posicionamento o Ciro é usado pela direita — para atacar o PT — e utilizado pelo PT para que a militância ataque o Ciro e ignore fatos mais relevantes. Ele perde dos dois lados. Falta ao Ciro uma estrutura que permita apresentar seu projeto de forma integral e controlada. É urgente organizar sua militância digital com focos em todos os estados do país, retomar seu canal do YouTube e suas palestras, para circular o Brasil, ser visto e angariar lideranças.

O Ciro ainda está muito preso numa lógica analógica (televisão/rádio/jornal), que fazia sentido nos anos 90. Uma lógica de deslocar setores da classe média, artistas, intelectuais, pequenos e médios empresários para a esquerda. Hoje cada espectro fala diretamente para sua base, sem filtro de comunicação da grande mídia. A estratégia correta passa por radicalizar (no sentido de ir à raiz) o discurso e angariar mais pessoas em uma segunda etapa. Esta defasagem em relação às novas dinâmicas de comunicação política representa um desafio adicional para Ciro, que precisa modernizar sua abordagem para alcançar públicos mais amplos e diversificados.

A estratégia de se posicionar como “terceira via” também se mostrou equivocada. Em um cenário polarizado, quem se coloca contra os dois polos, sem uma base forte, acaba não dialogando com ninguém. Disputar o campo “progressista” com o PT, um partido de massa com forte liderança e máquina de comunicação consolidada, não foi tão infrutífero. Em 2018, essa tática foi acertada. Ciro bateu de frente com o petismo, mostrou um plano com início, meio e fim e conquistou uma base sólida. Mas em 2022, resolveu flutuar no éter, no “caminho do meio” como dizem os budistas, quando era hora de radicalizar o discurso econômico, já que Lula estava de volta ao jogo. Esta inconsistência estratégica entre os dois ciclos eleitorais evidencia a necessidade de uma abordagem mais coerente e adaptada às circunstâncias específicas de cada momento político.

Paradoxalmente, a recente declaração de Ciro de que não será candidato pode ser uma tática inteligente, que já vem contribuindo para reduzir sua rejeição. O problema é que ele continua se comportando como presidenciável, o que pode soar como oportunismo para parte do eleitorado.

A militância cirista erra ao esperar que o PT ofereça, de bandeja, um espaço para o Ciro na esquerda. Quem ocupa espaço não quer largar. Lula em 1989 moveu mundos e fundos para tomar o lugar de Brizola. Bolsonaro colocou o PSDB de joelhos em 2018. Eles não pediram licença, usaram suas máquinas. Política é força, e essa é uma lição que Ciro e seus apoiadores precisam aprender rapidamente se quiserem ter alguma chance em 2026. Esta compreensão da política como disputa de poder, e não apenas como debate de ideias, é fundamental para qualquer projeto que pretenda romper com a atual polarização.

A militância cirista também precisa evoluir, abandonando o jargão irritante do “Ciro avisou”, que apenas mostra frases ou vídeos dele apontando o dedo, quando na verdade ele é um candidato que não apenas diagnostica problemas, mas propõe soluções. Essas soluções acabam se perdendo no discurso, e para quem já rejeita Ciro, o jargão soa como um ar de superioridade. Esta mudança de abordagem comunicacional é essencial para ampliar o alcance da mensagem de Ciro para além de sua base já consolidada.

Para 2026, o cenário apresenta algumas oportunidades: a crise de popularidade do governo Lula, a ausência de Bolsonaro como antagonista direto (caso seja impedido de concorrer) e o desgaste da polarização podem abrir espaço para uma candidatura alternativa. No entanto, Ciro precisaria superar limitações estruturais graves: não tem controle efetivo sobre seu partido, não possui um movimento de massas organizado, perdeu influência no Ceará e, reforçamos, carece de uma máquina de comunicação robusta e própria.

Esse balanço entre potencialidades e obstáculos nos leva ao ponto crucial desta análise: a viabilidade de Ciro Gomes como alternativa política não depende apenas de fatores externos ou conjunturais, mas fundamentalmente de sua capacidade de construir estruturas sólidas que transformem seu capital político pessoal em força eleitoral organizada.

Os cenários para Ciro Gomes

Hoje o Ciro se vê diante de três cenários possíveis para 2026, considerando as variáveis políticas, econômicas e sociais que podem influenciar sua viabilidade eleitoral.

Cenário 1: ressurgimento como alternativa viável

O primeiro cenário é o menos improvável, quase nulo. Primeiro precisamos partir de algumas premissas fundamentais: o governo Lula manteria sua tendência de queda de popularidade, especialmente no Nordeste; Bolsonaro enfrentaria impedimentos legais para concorrer em 2026; a polarização política mostraria sinais de esgotamento no eleitorado; persistiria uma crise econômica com baixo crescimento e inflação moderada; e o PDT passaria por uma reestruturação interna, com maior alinhamento ao projeto de Ciro.

Neste cenário, até 2026, Ciro realizaria um reposicionamento estratégico, abandonando ataques no campo moral e concentrando suas críticas na política econômica do governo. Ele desenvolveria uma narrativa de “terceira via viável”, não como alguém que apenas é “diferente do que está aí”, com foco em desenvolvimento nacional, construiria alianças estratégicas com setores produtivos e movimentos sociais descontentes, e ampliaria sua presença digital com comunicação mais estruturada e menos personalista. Paralelamente, ocorreria um fortalecimento institucional, com o PDT recuperando parte das perdas municipais nas eleições de 2024, Ciro conseguindo maior controle sobre o partido e alinhando-o ao seu projeto nacional, formando núcleos de lideranças regionais comprometidas com seu projeto, e estabelecimento de alianças com partidos que buscam alternativa à polarização.

No cenário eleitoral, Ciro precisaria entrar em 2026 com algo entre 15 e 20% das intenções de voto. Ele conseguiria atrair eleitores descontentes tanto com Lula quanto com candidatos bolsonaristas. Seu desempenho em debates televisivos ampliaria sua visibilidade e credibilidade, chegando ao primeiro turno com votação entre 18 e 25%, com possibilidade de alcançar um segundo turno. Para que este cenário se concretize, seriam fatores-chave a capacidade de traduzir presença digital em mobilização territorial, a construção de alianças políticas sem comprometer a integridade programática, o desenvolvimento de narrativa que ressoe além da classe média, e o aproveitamento eficaz de janelas de oportunidade criadas por crises do governo.

Cenário 2: reconstrução de imagem e foco em 2030

Este é o cenário mais próximo da realidade. Suas premissas incluem: o governo Lula enfrentando desgaste moderado, mas mantendo base de apoio consolidada; a polarização persistindo como força dominante, embora com menor intensidade; a economia apresentando recuperação modesta, insuficiente para gerar entusiasmo; o PDT mantendo fragilidade estrutural, com disputas internas não resolvidas; e Ciro preservando seu capital político pessoal, mas sem expansão significativa.

Neste cenário, até 2026, Ciro se consolidaria como voz crítica, mantendo presença constante no debate público como uma oposição qualificada. Seu projeto econômico ganharia reconhecimento entre formadores de opinião, conseguindo influenciar a agenda de debates e forçando outros candidatos a se posicionarem (como conseguiu com o programa para limpar o nome dos brasileiros no SPC/Serasa). Ele manteria sua base de apoio fiel, mas com expansão tímida. Em termos de articulação política, conseguiria algumas alianças regionais importantes, principalmente no Nordeste, mas enfrentaria resistência de setores do PDT alinhados ao governo federal. Manteria diálogo com setores produtivos e intelectuais, sem converter isso em apoio massivo, e teria presença digital forte, mas com limitada capacidade de mobilização territorial.

No cenário eleitoral, isso significa iniciar o próximo ano com algo entre 8% e 12% das intenções de voto. Seu desempenho em debates ampliaria temporariamente seu apoio para 12 a 15%, mas sofreria com o “voto útil” na reta final, terminando com 8 a 10% dos votos válidos. Não chegaria ao segundo turno, mas obteria capital político suficiente para manter relevância e pensar em 2030, em um cenário sem Lula. Os fatores-chave para concretização deste cenário seriam a capacidade de resistir à pressão pelo voto útil no primeiro turno, a manutenção de coerência programática sem isolamento político, o desenvolvimento de estratégia de comunicação que amplie alcance além de sua base tradicional, e o equilíbrio entre crítica ao governo e apresentação de alternativas viáveis.

Cenário 3: marginalização política

Este seria o pior cenário para Ciro, com baixa probabilidade de acontecer. Suas premissas são: intensificação da polarização lulismo-bolsonarismo; recuperação significativa da economia no final do mandato de Lula, bem ao estilo “abrir as torneiras”; surgimento de novos atores políticos disputando o espaço de “terceira via”, como Eduardo Leite; fragmentação interna do PDT, com migração de quadros para outros partidos; e Ciro enfrentando crescente isolamento político e dificuldades de financiamento.

Neste cenário, entre 2025 e 2026, Ciro passaria por um isolamento progressivo, mantendo seu discurso crítico, mas com audiência cada vez mais restrita. Perderia espaço midiático para novos atores políticos emergentes, enfrentaria dificuldades para manter relevância no debate público, e sua base de apoio se reduziria a um núcleo fiel, mas insuficiente eleitoralmente. Ocorreria também uma fragilização institucional, com o PDT perdendo ainda mais relevância nacional. Alianças regionais se desfazem em favor de acordos com PT ou partidos de direita, o financiamento de campanha se tornaria problemático devido à perda de atratividade eleitoral, e a estrutura organizacional se deterioraria, com dificuldades para manter capilaridade nacional.

No cenário eleitoral, Ciro iniciaria a campanha com apenas 5 a 7% das intenções de voto, sofreria pressão crescente pelo voto útil, terminando com 3 a 5% dos votos válidos, no mesmo patamar da última eleição. O resultado confirmaria a tendência de declínio iniciada em 2022. Os fatores-chave para a concretização deste cenário seriam a intensificação da polarização política nacional, o surgimento de novos atores políticos ocupando espaço semelhante, a deterioração das relações com o PDT e ausência de alternativa partidária viável, e a incapacidade de renovar discurso e estratégia de comunicação.

O cenário mais provável é o segundo, com Ciro Gomes mantendo relevância política, mas com limitada viabilidade eleitoral para vencer em 2026. No entanto, mudanças significativas nas variáveis determinantes, especialmente na polarização política e no desempenho econômico do governo, podem alterar substancialmente este quadro. A capacidade de Ciro de adaptar sua estratégia de comunicação, fortalecer sua estrutura partidária e construir alianças estratégicas sem comprometer seu projeto político será determinante para sua viabilidade eleitoral. O monitoramento contínuo de alguns pontos identificados permitirá ajustes nas projeções à medida que o cenário político evolui.

Possíveis caminhos para Ciro Gomes

Após analisar a trajetória política de Ciro Gomes, seus desafios atuais e os possíveis cenários para 2026, é possível delinear um conjunto de recomendações estratégicas concretas que poderiam aumentar sua viabilidade eleitoral. Estas sugestões estão organizadas em cinco eixos fundamentais: comunicação, estruturação partidária, alianças políticas, posicionamento programático e mobilização territorial.

Comunicação

A comunicação de Ciro Gomes precisa de ajustes significativos para ampliar seu alcance e eficácia. Recomendamos:

Profissionalizar a estratégia digital: estabelecer uma equipe permanente de comunicação digital com especialistas em diferentes plataformas, análise de dados e produção de conteúdo segmentado. O modelo atual, baseado principalmente em aparições pessoais e vídeos longos, limita o alcance a públicos já convertidos.

Discurso: seguir com o tom professoral e “pedagogizador”, mantendo a contundência das críticas, mas sem personalizar ou levar para o campo moral, focando em sistemas e estruturas em vez de indivíduos.

Desenvolver narrativas setoriais: criar conteúdos específicos para diferentes segmentos do eleitorado (jovens, trabalhadores formais, informais, pequenos empresários), traduzindo o projeto nacional em benefícios concretos para cada grupo.

Humanizar a imagem pública: equilibrar a imagem de gestor técnico competente com momentos que revelam dimensões pessoais e valores, criando conexão emocional com o eleitorado.

Adotar comunicação baseada em dados: implementar testes A/B de mensagens, monitoramento constante de percepção pública e ajustes táticos baseados em métricas objetivas, não em percepções subjetivas do entorno.

Estrutura partidária

O PDT atual não oferece a Ciro a estrutura necessária para uma candidatura presidencial competitiva. Recomendamos:

Renovar a direção partidária: articular uma renovação nos quadros dirigentes do PDT, trazendo lideranças alinhadas ao projeto nacional de desenvolvimento e com capacidade de diálogo com diferentes setores.

Criar núcleos temáticos permanentes: estabelecer grupos de trabalho permanentes em áreas estratégicas (economia, saúde, educação, segurança), reunindo especialistas e formuladores de políticas públicas que possam detalhar e defender o projeto. Algo que o Ciro tem hoje no campo pessoal.

Implementar formação política sistemática: desenvolver um programa de formação política para quadros partidários e apoiadores, criando uma base ideológica mais sólida e coesa em torno do projeto nacional.

Mapear e cultivar lideranças regionais: identificar e investir em lideranças emergentes em estados estratégicos, especialmente no Nordeste e em centros urbanos, oferecendo suporte técnico e visibilidade.

Profissionalizar a captação de recursos: estruturar uma estratégia de financiamento coletivo permanente e transparente, reduzindo a dependência do fundo partidário e criando senso de pertencimento entre apoiadores. Um financiador se sente dono do projeto que financia, e por isso se engaja mais.

Alianças políticas

A construção de alianças é crucial para superar o isolamento político. Recomendamos:

Priorizar alianças programáticas: estabelecer diálogo com setores políticos e sociais a partir de convergências programáticas específicas, evitando tanto o purismo ideológico quanto o pragmatismo sem princípios.

Construir pontes com movimentos sociais: aproximar sistematicamente de movimentos sociais organizados, especialmente aqueles ligados a pautas econômicas (sindicatos, associações de pequenos produtores, cooperativas), oferecendo espaço real de participação na formulação de políticas.

Dialogar com o empresariado produtivo: intensificar o diálogo com setores empresariais ligados à produção, especialmente indústria e a agricultura não-especulativa, detalhando como o projeto desenvolvimentista beneficiaria estes setores.

Estabelecer fóruns permanentes de debate: criar espaços regulares de discussão política e programática com potenciais aliados, evitando que as aproximações ocorram apenas em períodos eleitorais.

Articular frente parlamentar desenvolvimentista: trabalhar para a formação de uma frente parlamentar suprapartidária (em todas as esferas possíveis) em defesa da reindustrialização e do desenvolvimento nacional, criando base institucional para o projeto.

Posicionamento programático

O projeto nacional de desenvolvimento precisa ser traduzido em propostas mais concretas e acessíveis. Recomendamos:

Simplificar a comunicação do PND: traduzir o Projeto Nacional de Desenvolvimento em linguagem acessível e propostas concretas, organizadas em eixos temáticos de fácil compreensão.

Desenvolver projetos-piloto demonstrativos: implementar, onde possível (em prefeituras ou estados aliados), projetos demonstrativos de políticas propostas no PND, criando casos concretos de sucesso.

Enfatizar soluções para problemas cotidianos: conectar explicitamente as propostas macroeconômicas com soluções para problemas cotidianos da população (custo de vida, emprego, saúde, segurança).

Equilibrar crítica e proposta: manter a proporção de 30% de crítica ao status quo e 70% de propostas concretas em todas as comunicações públicas.

Atualizar o diagnóstico econômico: incorporar ao projeto análises sobre transformações econômicas recentes (economia digital, transição energética, inteligência artificial), demonstrando capacidade de adaptação a novos contextos.

Mobilização territorial

A presença digital precisa se converter em mobilização territorial efetiva. Recomendamos:

Mapear territórios estratégicos: identificar regiões com maior potencial de crescimento eleitoral e concentrar esforços de mobilização nessas áreas, especialmente em cidades médias do interior.

Criar comitês temáticos permanentes: estabelecer comitês de apoio organizados por temas (educação, saúde, desenvolvimento econômico) em vez de apenas por localidade, atraindo apoiadores por afinidade com pautas específicas.

Implementar programa de embaixadores: selecionar e capacitar apoiadores influentes em diferentes setores sociais para atuarem como multiplicadores qualificados do PND.

Realizar caravanas temáticas: organizar séries de eventos focados em temas específicos do projeto nacional, percorrendo regiões estratégicas e gerando conteúdo para comunicação digital.

Desenvolver metodologia de organização de base: criar e implementar metodologia sistemática de organização de apoiadores, com encontros regulares, tarefas específicas e métricas de acompanhamento.

Cronograma estratégico

Para implementação eficaz destas recomendações, sugerimos um cronograma estratégico dividido em três fases, levando em consideração que estamos a menos de 70 semanas das eleições de 2026.

Fase 1: reformulação da estratégia de comunicação; início da renovação partidária; mapeamento de territórios e potenciais aliados; simplificação e tradução do PND.

Fase 2: implementação de estrutura organizacional renovada; consolidação de alianças programáticas iniciais; lançamento de projetos-piloto demonstrativos; formação de núcleos de apoio em territórios estratégicos.

Fase 3: ampliação de alianças para construção de coalizão eleitoral; intensificação da mobilização territorial; consolidação de narrativa eleitoral unificada; preparação de estrutura de campanha profissionalizada.

Conclusão

Ciro Gomes permanece sendo uma figura relevante no debate público brasileiro, com pesquisas recentes indicando até 10% de intenções de voto em alguns cenários, mas enfrenta desafios estruturais significativos — desde a fragilidade partidária até o isolamento político — para transformar essa relevância em viabilidade eleitoral concreta para 2026.

Seu projeto político, materializado no PND, contém elementos importantes para o debate nacional, como suas propostas para o Complexo Econômico-Industrial da Saúde e sua crítica consistente ao rentismo — críticas estas que ganharam credibilidade adicional com a confirmação de várias de suas previsões sobre o governo Lula. No entanto, a construção de uma candidatura presidencial viável exigiria uma reformulação profunda de sua estratégia de comunicação, o fortalecimento de sua base partidária e a construção de alianças mais sólidas.

O eleitorado potencial de Ciro — composto principalmente por setores da classe média crítica e por uma parcela da esquerda insatisfeita com o pragmatismo petista — existe e pode crescer diante do desgaste da atual polarização, mas está desorganizado, disperso e historicamente volátil, como demonstrou a migração de votos entre 2018 e 2022. A janela de oportunidade para 2026 dependerá tanto de fatores externos — como o desempenho econômico do governo Lula e a reorganização do campo conservador — quanto da capacidade de Ciro e seu entorno de superarem as limitações estruturais que têm comprometido seu desempenho eleitoral.

A pergunta que dá título a este texto — “Tá na hora de olhar pro Ciro?” — não tem resposta simples. O que podemos afirmar é que ignorar completamente o que Ciro Gomes representa, especialmente sua capacidade de “pedagogizar” temas complexos e oferecer alternativas concretas ao modelo econômico vigente, seria um erro estratégico para qualquer análise séria do cenário eleitoral de 2026. Ao mesmo tempo, superestimar sua viabilidade sem considerar os obstáculos reais — desde a fragilidade partidária até o desafio de romper a polarização — seria igualmente equivocado. O timing político será crucial: se as condições conjunturais se alinharem e as limitações estruturais forem enfrentadas, talvez seja, finalmente, “a hora de olhar para Ciro”.

O futuro político de Ciro Gomes dependerá menos de suas qualidades pessoais e mais de sua capacidade de construir as estruturas necessárias para transformar seu projeto em uma alternativa concreta para o eleitorado brasileiro. Na política contemporânea, boas ideias sem estrutura de comunicação e mobilização são como sementes lançadas em terreno árido.

A viabilidade eleitoral de Ciro Gomes depende de sua capacidade de transformar capital político pessoal em força organizacional estruturada, converter presença digital em mobilização territorial efetiva, e traduzir seu projeto nacional em benefícios concretos para diferentes segmentos do eleitorado. O diferencial competitivo de Ciro — sua capacidade analítica e seu projeto econômico estruturado — precisa ser complementado por uma estratégia de comunicação mais eficaz, uma estrutura organizacional mais robusta e alianças políticas mais amplas. Sem estes elementos, mesmo o melhor projeto terá dificuldades para se traduzir em votos suficientes para viabilizar uma candidatura presidencial competitiva em 2026.

Referências

Vídeos

Livro

  • GOMES, Ciro. Projeto Nacional: O dever da esperança. LeYa, 2021.

Notas de rodapé

  1. Pesquisa CNT de Opinião. 163ª rodada / Fevereiro 2025. <https://cnt.org.br/pesquisas> ↩︎
  2. Pesquisa Genial/Quaest / Fevereiro 2025. <https://media-blog.genialinvestimentos.com.br/wp-content/uploads/2025/02/03094154/GENIALQUAESTJAN25ELEICOES2026.pdf> ↩︎
  3. A polarização na redemocratização <https://blog.rodolphodalmo.com/a-polarizacao-na-redemocratizacao/> ↩︎

Revisado e atualizado em 05/10/2026

Foto de Rodolpho Dalmo

Rodolpho Dalmo

é estrategista político com 12 anos de experiência em política, eleições e governos.

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